Cultiva Fala — Estimulação da Linguagem Infantil
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Como saber se o bebê está ouvindo bem (e por que importa)

Brígida Maris, fonoaudióloga5 min de leitura
  • Audição
  • Desenvolvimento
  • Quando procurar ajuda

Você chama pelo nome e seu filho não vira. Bate a porta e ele nem se assusta. Ou, ao contrário, ele parece ouvir tudo, mas a fala está demorando. Saber como saber se o bebê está ouvindo bem é uma das primeiras perguntas que eu faço às famílias, porque a fala começa no ouvido: a criança fala o que escuta.

A boa notícia é que dá para observar muita coisa em casa, no dia a dia, sem aparelho nenhum. E, se surgir dúvida, existe avaliação para qualquer idade, inclusive para recém-nascidos.

Por que a audição vem antes da fala

Para aprender a falar, a criança precisa ouvir os sons da língua milhares de vezes: a sua voz, as músicas, os nomes das coisas, as conversas da casa. É ouvindo que ela percebe a diferença entre "pato" e "bato", entende o que as palavras querem dizer e, aos poucos, tenta imitar.

Quando a audição não está boa, mesmo que só um pouco ou só por um tempo, essa "matéria-prima" chega falhada. Por isso, sempre que a fala demora ou a criança não responde quando é chamada, checar a audição é um dos primeiros passos, antes de qualquer outra conclusão. Muitas vezes não é nada; às vezes é algo simples de tratar.

O teste da orelhinha: o primeiro cuidado

No Brasil, a triagem auditiva neonatal, o teste da orelhinha, é obrigatória e gratuita por lei (Lei federal nº 12.303, de 2010). Segundo as diretrizes do Ministério da Saúde, ela deve ser feita de preferência nos primeiros dias de vida, ainda na maternidade, e no máximo até o primeiro mês. É rápida, indolor e costuma ser feita com o bebê dormindo.

Dois pontos que confundem muitos pais:

  • "Falhou" não quer dizer surdez. Pode ser só líquido no ouvido ou o bebê agitado na hora. O que importa é fazer o reteste e, se precisar, a avaliação completa no prazo que a equipe indicar.
  • "Passou" não é garantia para sempre. Algumas alterações aparecem depois, e infecções de ouvido podem diminuir a audição por um tempo. Por isso, continuar observando em casa é importante.

Não sabe se seu filho fez o teste ou qual foi o resultado? Olhe a Caderneta da Criança ou pergunte ao pediatra na próxima consulta.

Bebê no colo do pai virando a cabeça na direção de um chocalho que a mãe balança ao lado

O que observar em casa, por idade

A tabela abaixo foi feita a partir das orientações da ASHA, a associação americana de fonoaudiologia, sobre como a criança costuma ouvir e falar em cada fase. São faixas, não provas: cada criança tem seu ritmo, e o que conta é o conjunto, não um dia isolado.

IdadeO que costuma acontecer
Do nascimento aos 3 mesesAssusta com barulho forte; acalma ou sorri quando ouve sua voz; reconhece a voz de quem cuida
De 4 a 6 mesesMexe os olhos na direção dos sons; percebe mudança no seu tom de voz; presta atenção em brinquedos que fazem barulho e em música
De 7 meses a 1 anoVira a cabeça na direção dos sons; olha quando é chamado pelo nome; começa a entender palavras do dia a dia, como "água" e "sapato"

Um jeito simples de observar, sem transformar em teste: fique fora do campo de visão do bebê e chame o nome dele baixinho, ou balance um chocalho ao lado, sem que ele veja. Repare se ele procura o som. Faça isso em momentos diferentes, de forma leve, como brincadeira.

Brincadeiras que estimulam a escuta

Ouvir também se treina, e o melhor lugar para isso é a rotina:

  1. Brinque de "cadê o som?". Esconda um brinquedo que faz barulho atrás de uma almofada e pergunte, animado: "Cadê? Cadê o barulho?". Quando ele achar, festa.
  2. Cante com pausas. Cante uma música conhecida e pare antes da última palavra. Espere. Ele vai aprendendo a prestar atenção no que vem.
  3. Nomeie os sons da casa. "Ouviu? É o cachorro: au, au!" "Ouviu? A campainha!" Aponte para a origem do som enquanto fala.
  4. Fale de frente, na altura dos olhos. Assim ele ouve e vê a sua boca ao mesmo tempo, o que ajuda muito a entender e a imitar.
  5. Diminua o barulho de fundo. TV ligada o dia todo atrapalha a criança a separar a sua voz do resto. Nos momentos de conversa e brincadeira, desligue.

Quando procurar ajuda

Converse com o pediatra e peça avaliação com fonoaudiólogo (que pode incluir exames de audição feitos por ele ou pelo otorrinolaringologista) se você notar:

  • seu filho não fez o teste da orelhinha, falhou e não refez, ou você não tem o resultado;
  • ele não se assusta com barulhos fortes ou não procura os sons, de acordo com as faixas acima;
  • não vira quando é chamado pelo nome com frequência, mesmo em ambiente calmo;
  • tem infecções de ouvido de repetição, ouvido com secreção ou parece "ouvir só às vezes";
  • a fala está demorando, ou ele parou de usar palavras que já usava;
  • ele aumenta muito o volume da TV ou se aproxima demais para ouvir.

Nenhum desses pontos, sozinho, é diagnóstico. Não responder ao nome, por exemplo, pode ter várias explicações, e a audição é a primeira a ser descartada. Quem avalia é o profissional, e quanto antes, mais tranquila a família fica.

E se a avaliação mostrar uma perda auditiva, existe caminho: aparelhos, implante, Língua Brasileira de Sinais (Libras), terapia fonoaudiológica. Crianças surdas aprendem, brincam e se comunicam plenamente quando têm acesso cedo a uma língua, seja ela oral ou de sinais.

Para começar hoje

Hoje, em um momento tranquilo, chame seu filho baixinho fora do campo de visão dele e observe. Depois, cante uma música com pausa e veja se ele espera a próxima palavra. Se tudo parecer bem, siga conversando, cantando e brincando. Se ficou alguma dúvida, leve-a ao pediatra: perguntar nunca é exagero.

No curso, a Brígida mostra o que observar em cada fase e as brincadeiras que estimulam escuta, atenção e fala no dia a dia, com clareza sobre quando procurar um fono.

Brígida Maris, fonoaudióloga

Quem escreve

Brígida Maris é fonoaudióloga formada pela UFMG, especialista em Linguagem e mestre em Neurociências. Criou o Cultiva Fala para ajudar famílias a estimular a fala em casa, no dia a dia.

@brigidamaris_

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