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Marcos da fala por idade: o que esperar de 0 a 5 anos

Brígida Maris, fonoaudióloga7 min de leitura
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  • Quando procurar ajuda

Você viu o filho da vizinha falando frases e o seu, da mesma idade, ainda diz poucas palavras. Ou leu numa tabela que "aos 2 anos já junta palavras" e ficou com o coração apertado. Conhecer os marcos da fala por idade ajuda muito, desde que a gente saiba ler a tabela do jeito certo: como um mapa para acompanhar, e não como uma prova que a criança precisa passar.

Antes da tabela: a fala é a cereja do bolo

Quando os pais pensam em fala, pensam em palavras. Mas a fala é a cereja do bolo. Antes dela vem tudo o que sustenta a comunicação: olhar para você, sorrir de volta, balbuciar "conversando", imitar, dar tchau, apontar para mostrar algo, esperar a vez.

Por isso, ao olhar os marcos, observe também como seu filho se comunica, e não só quantas palavras ele diz. Uma criança que fala pouco, mas olha, aponta, imita e puxa você pela mão para mostrar o que quer, está se comunicando, e isso conta muito.

Os marcos da fala por idade, segundo o CDC

A tabela abaixo é baseada nos marcos de comunicação do CDC, o centro de controle de doenças dos Estados Unidos, no programa Learn the Signs. Act Early. ("Aprenda os sinais. Aja cedo."), revisado em 2022 junto com a Academia Americana de Pediatria. No Brasil, a Caderneta da Criança, do Ministério da Saúde, também traz um quadro de marcos para acompanhar nas consultas com o pediatra. Vale levar a sua em todas elas.

IdadeO que a maioria das crianças já faz
2 mesesFaz sons além do choro; reage a barulhos fortes
4 mesesFaz sons como "aaah" e "oooh"; responde com sons quando você fala; vira a cabeça para a sua voz
6 mesesReveza sons com você, como numa conversa; faz "pum" com a boca e dá gritinhos
9 mesesFaz sons repetidos como "mamama" e "bababa"; levanta os braços para pedir colo
12 mesesDá tchau; chama a mãe ou o pai por um nome especial ("mamã", "papá"); entende o "não"
15 mesesTenta dizer uma ou duas palavras além de "mamã" e "papá"; aponta para pedir; olha para um objeto conhecido quando você diz o nome dele
18 mesesTenta dizer três ou mais palavras além de "mamã" e "papá"; segue um pedido simples sem precisar de gesto
2 anosJunta duas palavras ("mais água"); aponta figuras no livro quando você pergunta; mostra partes do corpo
2 anos e meioFala cerca de 50 palavras; junta duas ou mais palavras com uma ação ("cachorro corre"); usa "eu" e "nós"
3 anosConversa com pelo menos duas trocas; pergunta "quem", "o quê", "onde", "por quê"; fala o próprio nome; é entendido pelos outros na maior parte do tempo
4 anosFala frases de quatro ou mais palavras; conta algo que aconteceu no dia; canta pedaços de músicas
5 anosConta uma história com pelo menos dois acontecimentos; mantém uma conversa com mais de três trocas; brinca com rimas simples

Fonte: CDC, Learn the Signs. Act Early. (revisão de 2022). Cada criança tem seu ritmo: use a tabela para acompanhar, não para comparar.

Mãe sentada no chão na altura dos olhos do bebê, os dois sorrindo e trocando sons

Como ler essa tabela sem entrar em pânico

Um detalhe muda tudo: na revisão de 2022, o CDC passou a colocar em cada idade o que 75% ou mais das crianças já fazem. Antes, a régua era a idade em que metade das crianças fazia.

Na prática, isso quer dizer duas coisas:

  • Se seu filho já faz o que está na tabela, ótimo. Muitas crianças fazem bem antes.
  • Se ele chegou à idade e ainda não faz, não é diagnóstico, mas é motivo para conversar com o pediatra ou com um fonoaudiólogo, em vez de só "esperar para ver". A maioria das crianças já chegou lá, então vale olhar de perto.

Outra coisa importante: os marcos andam juntos. Um bebê que ouve bem, que fica no chão explorando, que brinca com você e é respondido quando faz um som tem mais oportunidades de chegar à fala. Se você tem dúvida sobre a audição, este post ajuda: como saber se o bebê está ouvindo bem.

O que fazer em casa em cada fase

Você não precisa de material caro nem de "hora de terapia". Os melhores estímulos cabem na rotina.

De 0 a 12 meses: conversar com o bebê

  • Fale na altura dos olhos dele, devagar e animado. Ele precisa ver a sua boca.
  • Quando ele fizer um som, responda e espere. Ele faz, você espera, você responde: é a primeira troca de turnos.
  • Dê significado a tudo. Se ele diz "bã" olhando a bola, devolva: "Bola! Você quer a bola".
  • Cante músicas com gestos e brinque de esconder ("cadê… achou!").

De 1 a 2 anos: criar vontade de pedir

  • Deixe o brinquedo favorito à vista e fora do alcance. Quando ele apontar, diga o nome: "O carro! Você quer o carro".
  • Ofereça opções: "água ou suco?". É mais fácil responder do que "o que você quer?".
  • Use a palavra inteira e correta, sem diminutivo: "sapato", e não "sapatinho" nem "pato".
  • Não fale por ele nem adivinhe tudo antes de ele tentar. O silêncio cria a oportunidade.

De 2 a 3 anos: aumentar a frase

  • Pegue a palavra dele e acrescente uma: ele diz "carro", você diz "carro azul" ou "carro correu".
  • Leia o mesmo livro por vários dias. Quem enjoa da repetição é a gente.
  • Brinque de faz de conta junto: dar comida para a boneca, fazer o carrinho ir ao mercado.

De 3 a 5 anos: conversar e contar

  • No fim do dia, faça perguntas concretas: "Com quem você brincou hoje?" funciona melhor que "como foi seu dia?".
  • Peça para ele contar uma história que vocês leram, ou inventem uma juntos.
  • Brinque com rimas e músicas que ele completa.

Se quiser registrar o vocabulário do seu filho e ver ele crescer mês a mês, use a ferramenta grátis Primeiras palavras do meu filho: você marca as palavras que ele já diz, do jeitinho dele, e ganha um cartão para guardar.

E para brincar do jeito que mais ajuda a fala, veja como brincar com criança pequena para estimular a fala.

Quando procurar ajuda

Converse com o pediatra e procure um fonoaudiólogo para uma avaliação se:

  • seu filho chegou a uma idade da tabela e ainda não faz a maior parte do que está nela;
  • ele não responde ao próprio nome, não aponta e não usa gestos como dar tchau por volta de 1 ano a 1 ano e meio;
  • aos 3 anos, pessoas de fora da família quase nunca entendem o que ele fala;
  • em qualquer idade, ele perde palavras, sons ou habilidades que já tinha. Nesse caso, o CDC orienta não esperar.

Procurar avaliação não é admitir que algo está errado. É tirar a dúvida com quem sabe avaliar, e quanto mais cedo a família tem orientação, mais cedo pode ajudar. Quem avalia é o profissional; a tabela só aponta a hora de perguntar.

Seu próximo passo, hoje

Escolha um momento do dia, o banho ou o lanche, e faça uma coisa só: sente na altura do seu filho, diga uma palavra com calma e espere a resposta dele, seja um som, um gesto ou um olhar. Responda com festa. Você é a pessoa mais importante nesse processo, e pequenas mudanças já fazem diferença.

No Cultiva Fala, a Brígida mostra o que esperar e o que fazer em cada fase, do bebê à fala, com as brincadeiras demonstradas na prática.

Brígida Maris, fonoaudióloga

Quem escreve

Brígida Maris é fonoaudióloga formada pela UFMG, especialista em Linguagem e mestre em Neurociências. Criou o Cultiva Fala para ajudar famílias a estimular a fala em casa, no dia a dia.

@brigidamaris_

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